Novo cenário da economia mundial afeta finanças dos clubes europeus, que passaram a atuar na defesa e a dispensar jogadores, caros demais para sua nova realidade.
Alex Silva, Edmilson e Roberto Carlos; Corrêa, Cléber Santana e Robinho; Adriano, Vágner Love, Fred e Ronaldo.
No ofensivo esquema 3-3-4, faltaria apenas um goleiro para completar o time de jogadores brasileiros que deixou, recentemente, o tão sonhado mercado europeu da bola para voltar a brilhar nos gramados do Brasil.
E motivos não faltam para explicar esse movimento dentro do esporte - que afeta não só o futebol como também o vôlei - mas está diretamente relacionado aos rumos que a economia mundial tomou nos últimos anos.
É característica dos grandes clubes da Europa realizar contratos longos com os atletas pagando cifras que ainda estão longe da realidade brasileira. Mas nos últimos anos, com o cenário favorável aos países emergentes e o maior impacto da crise econômica em mercados consolidados, como no velho continente, as agremiações europeias passaram a atuar defensivamente.
Outra consequência desse cenário é a valorização do real frente às principais moedas do globo, que possibilitou que os times brasileiros atuassem mais no ataque.
"Houve um fluxo maior de jogadores agora devido à crise econômica, que obrigou os clubes europeus a fazer ajustes em suas receitas", afirma Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, ex-secretário de Política Econômico do Ministério da Fazenda e atual presidente do Palmeiras.
"Os bancos reduziram os financiamentos para contratações e a saída para os times da Europa está sendo o empréstimo dos atletas para aliviar a folha salarial", complementa.
Exemplo recente desse movimento da bola é a volta de Robinho ao Santos. Contratado em 2008 por € 42 milhões pelo Manchester City, da Inglaterra, o jogador será repassado sem custo algum ao clube brasileiro por seis meses.
Dessa forma, o clube inglês abre mão de € 5,25 milhões (do qual teria direito tendo como base o valor da compra) para deixar de pagar € 3 milhões que o jogador receberia de salário nesse período.
Diferente de outras estrelas como Cristiano Ronaldo e Kaká, que geram lucro dentro e fora de campo para o Real Madrid, da Espanha, Robinho não produziu o esperado em seu clube.
Nos 17 meses que vestiu a camisa do Manchester City, o atacante marcou apenas 16 gols. Para se ter uma ideia dos valores astronômicos com o quais chegou ao mercado europeu, cada bola na rede de Robinho custou € 1,5 milhão aos cofres do time inglês.
Estratégia de resultado
Por outro lado, ao mesmo tempo em que a economia brasileira vem crescendo, os clubes brasileiros estão explorando melhor as fontes de renda com o esporte, que até pouco tempo atrás se baseava apenas na venda de jovens promessas para o exterior.
Caso mais emblemático dessa mudança é a volta de Ronaldo ao futebol brasileiro. Mesmo com as dúvidas sobre suas condições dentro de campo, o Corinthians apostou no jogador como uma forma de atrair patrocínios, melhorar o público nos estádios e vender produtos aos torcedores.
Desde então, os ganhos com os espaços publicitários da camisa corinthiana dobraram de preço e outras fontes de renda do clube foram valorizadas, como é o caso dos ingressos para os jogos.
"O trabalho que o Corinthians tem realizado vem de um processo. De 2007 para 2008, antes da chegada do Ronaldo, a eficiência do marketing corintiano cresceu 44%", diz Amir Somoggi, gerente da divisão de consultoria de gestão da Crowe Horwath RCS e especializado em gestão esportiva.
Para Felipe Faro, diretor de negócios do futebol da Traffic Sports, o futebol brasileiro deixou de ser amador e a tendência é melhorar ainda mais. "Pessoas importantes da área econômica e de negócios passaram a fazer parte dos clubes e hoje há mais criatividade para gerar receitas", explica.
Com a amarelinha
Devido à debandada dos jogadores brasileiros para o exterior, o técnico da seleção Dunga optou por realizar 15 dos 23 jogos amistosos que comandou na Europa. Mas com a volta dos quatro atacantes da Copa 2006 ao Brasil - Adriano, Fred, Robinho e Ronaldo - quem sabe o Brasil volte a ser a casa da seleção. Se isso ocorrer, o torcedor brasileiro agradece.
Fonte: Brasil Econômico